terça-feira, 5 de abril de 2011

Caminhando, cantando e seguindo a visão...





Cinqüenta minutos em média e mais ou menos vinte e cinco quarteirões é a distância que separa meu trabalho, de casa.
Em busca de melhor qualidade de vida já que o trânsito das 18h deixa qualquer um a beira de uma estafa ainda mais dentro de um ônibus... embora sentadinha, minha paciência vai embora junto com a fumaça dos milhões de carros em volta.
Também, como não podia deixar de ser, à caça de uma melhor forma física enfrento uma boa caminhada no meu início de noite.
Tenho sorte de passar por dois de nossos bairros top de linha. Aldeota e Meireles e evidencio aqui algumas situações complicadas (pelo menos as que me ocorrem) e porque não dizer até absurdas:
O que pensar sobre a nova moda entre os condomínios? De manter um segurança na porta (geralmente na porta da garagem) com cães de grande porte presos apenas por uma coleira. Pronto! Acabou-se o que nos restava de calçada.
Passo em frente a um condomínio na Avenida Rui Barbosa que adotou esse tipo de prática, todos os dias tenho que descer da calçada e caminhar pela avenida (quase pelo meio dela) pois não me atrevo a passar por aquele rottweiler que sempre tenho a impressão de ver espumando, sedento por alguém para "brincar" de pega-pega...
Uma vez testemunhei a hora em que um caminhão deixava o pobre cão lá, fiquei pra morrer ao descobrir como é feito o transporte desses cachorros: trata-se de um caminhão com uma carroceria adaptada com várias celas de ferro quase que totalmente fechadas a não ser por uma abertura no alto. O que esses cães latiam e rosnavam quando passei perto não sei nem definir... Deve fazer parte do treinamento estressar o animal até no transporte.
Outro dia, voltando da Avenida Beira-Mar no cruzamento entre Rua Manoel Jacaré e Rua da Paz, uma amiga foi atacada por um pastor alemão, o vigilante não conseguiu segurá-lo, só não fui atacada também porque costumo andar no meio da rua, quando percebo qualquer sinal de cães guarda. Ou seja voltando do cooper quase viramos ração.
Acho justo aos condôminos, ao síndico ou mesmo a administradora do condomínio tentarem todas as alternativas em busca de segurança, mas façamos uso também do bom senso!
Creio que pouco adianta um cachorro por maior e mais agressivo que seja diante de um assalto com bandidos armados, porém não cabe a mim ou em qualquer cidadão pensar nesses detalhes, quero apenas registrar que preciso de uma calçada para praticar o meu santo direito de ir e vir, apesar das calçadas lastimáveis que nós temos mas é um direito meu.
O grande problema da nossa dita "civilização" é que se pensa muito no bem próprio e hoje em dia estamos esquecendo inclusive do politicamente correto. Se eu vou passear com a minha gracinha de cachorrinho, tenho que levar um meio com o qual eu possa recolher o "alívio" dele se não vou transformar a calçada dos outros (geralmente nosso cachorro nunca passeia na nossa calçada) num campo minado.
Se nossa calçada está parecendo uma trilha off road, vamos arrumar com um piso que dê segurança as pessoas, sem tanto desnível, que forneça atrito até em chuvas fortes em lugar daquelas benditas pedrinhas que soltam com facilidade e promovem tropeços cinematográficos e de uma vez por todas vamos dar uma atenção maior ao lixo e ao entulho.
Um recado aos motoristas de nossa cidade: pensem com carinho nos pedestres minha gente! Lembre-se que os pedestres também se guiam por seus sinais, não é porque estão trafegando por uma rua de pouco movimento que se torna desnecessário o uso da sinalização, se não vejo seta nenhuma ligada vou atravessar a rua sem medo, todavia sob risco de ser colhida por um disperso que não sinalizou que iria entrar a direita ou a esquerda, sem lembrar das barbaridades básicas e corriqueiras que todos já conhecem e por ai vai...
O bem comum, também pode ser um bem nosso. Me perdoem se tem alguma motorista consciente que salve o gênero feminino, mas verdade seja dita as mulheres de Fortaleza lideram a falta de educação com o pedestre. Nesse ponto não posso deixar de admitir que os homens são mais generosos e em alguns casos devemos chamar até de grata cortesia.



Bom, cinqüenta minutos são o suficiente para observar que se em dois dos nossos bairros de metro quadrado mais caro a coisa não está muito bem estruturada, que dirá, nos mais acessíveis, mais populosos, menos - digamos "sofisticados".
Lembro também da minha querida Varjota transformada pelo acúmulo de restaurantes e bares em uma praça de alimentação, moramos em um bairro que não tem uma praça comum aos moradores...
Que o poder público tem uma larga parcela de culpa em tudo isso, não nego. Porém deveríamos dar início com pequenos gestos, para uma organização pessoal e deixá-la ganhar ares de coletiva. Contagiando a todos com gentileza, boa conduta, educação. Pensemos nisso e para quem se atrever, boa caminhada!!!

Crisssss

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